Às vezes paro para pensar na imensidão de pessoas, que habitam esse planeta e que fazem o que precisa ser feito para viver e tocar a vida em frente.
Numa dessas vezes, me veio à lembrança o tempo em que meu pai, para sustentar seus filhos, se levantava às 5 horas da manhã prá percorrer mais de 20 kms até à fazenda, prá trazer o leite de vaca, que era ordenhado todas as manhãs.
Seus passos de botas encharcados de barro, ou de estrume, eram ouvidos na escada que dava acesso a cozinha da casa.
Imediatamente, deixávamos nossos afazeres e brincadeiras, para ir correndo abraçá-lo e ajudá-lo a carregar a cestinha de ovos, sempre cheia e o galão de leite cru.
Éramos pequenos demais para entender a imensidão desse seu gesto.
Não tínhamos capacidade para entender porque precisava ser feito o que tinha que ser feito.
Minha mãe o esperava ansiosa, por vezes, preocupada se demorasse mais que o habitual.
Suas obrigações diárias a impediam de acompanhá-lo: os filhos, as tarefas domésticas, coisas que valorizava por demais.
Sempre valorizou a família e sua união.
Lembro daquela mesa comprida, seja no jantar ou no almoço, sempre cheia, éramos 9 irmãos, onde sempre se expunham as peripécias do dia de um e de outro.
Meu pai na cabeceira, minha mãe à sua direita e os manos enfileirados pelas cadeiras de madeira em série.
Que mesa comprida!
Até hoje não sei dizer quantos metros tinha.
Naquela mesa comprida, cresci, me alimentei ( sou fortinha!),enxuguei lágrimas, discuti assuntos sérios, outros nem tanto!
Naquela mesa comprida fui pedida em casamento.
Na mesma mesa, troquei toalhas de Natal e de Ano novo.
E os anos passaram...
Aí nessa mesma mesa, aprendi a admirar a minha mãe, pela sua enorme capacidade de se doar, por cada um de seus filhos e netos, e a meu pai, pela sua garra, sua tenacidade e sua firmeza em nos criar e educar.
Não sei quanto isso custou a eles.
Acho que nunca saberei.
Hoje, não tendo uma mesa tão comprida, pois só tenho 2 filhos à mesa, percebo que minhas opções foram corretas, e que a base que tive de meus pais, foi fundamental para sermos o que somos hoje: uma família de mesa pequena!
Percebo que fazendo o que tem de ser feito por nossa família e por nossos entes queridos, nos sentimos mais nobres e mais propensos a seguir essa marcha de vida, apesar dos percalços.







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