Eu guardei...
Guardei sim, lá no fundo de mim mesma, os restos dessa ilusão estranha e sem limites.
Lá ficou guardado um carinho, um afeto, um sentimento tão puro, que o tempo se encarregou de embalsamar.
Agora já não sei, até quando, esse resto embolorado e amarelado pelas estações sem vida se encerrarão no meu peito, encerrados numa caixinha de lembranças.
Os galhos de esperança, que ainda se fixavam nessa árvore humana, em que me transformei, estão secando, e a raiz ( o que ela possuía de mais sólido) está rachando os alicerces da ilusão aos abalos contínuos da vida.
Impossível fugir a essa dura realidade!
Quando o amor acaba, sente-se uma espécie de paz interior, que nos torna semelhantes ao surdo-mudo.
Pode o mundo revirar-se `a nossa volta, contorcer-se e voltar ao normal, porém nada nos afeta ou perturba.
É o silêncio feito de paz e inércia, que nos consome, nos redime, nos converte.
Assemelha-se ao período de convalescença de uma doença grave.
Quando tudo passa, acaba a dor!





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