Ana Marisa


23/09/2006


Amor sem fim!

Ontem eu me senti como um saco vazio, algo assim que a gente tenta sustentar, mas em vão.

Minha vida tem sido em vão e meu sentimento é a única coisa, que ainda se mete a ficar em pé.

 Eu não sei por que ainda não caiu. É em fruto podre, já fora da estação,  que insiste em secar dependurado no galho.

Pô, meu sentimento teve raízes de seringueira, infincado no mais fundo de mim mesma, ele vai partindo, rachando os alicerces, sem respeitar seus limites, suas fronteiras.

Meu sentimento não morre nunca, para tanto, talvez seja preciso fazer o abate, como quando as árvores ressecam ou se alastram demais.

Sim, para morrer um sentimento é preciso matá-lo!

Havia uma certeza e havia uma dúvida!

Havia um desespero angustiado e uma esperança cansada!

Havia um amor que existia e restou uma saudade esquecida!

 

A quem recorrer?

A quem desabafar?

A quem pedir?

Porque chorar se tudo está tão bem?

Porque esse sorriso sem alegria?

E esses olhos, sem cor, nem expressão?

Porque nem um ombro para chorar?

A quem pedir um ombro emprestado?

 

 

Escrito por anama às 00h30
[ ] [ envie esta mensagem ]

18/09/2006


O mouse e a caneta

Eis que o “mouse” passeia tranqüilo pela tela do computador, despreocupado, como se as palavras por ele redirigidas fossem ditadas por ele mesmo.

Por um longo tempo, fiquei observando-o atentamente.

Talvez, a sua despreocupação se deva ao fato de que , enquanto para ele existe um “Delete”, que lhe apaga as censuras e os rabiscos, para a sua rival, a caneta, poucas possibilidades existem de se extinguir completamente!(o corretivo deixa marcas).

A caneta repousa na cabeceira da escrivaninha, zangada por ter sido relegada a 2ºplano.Ela não serve pra rascunho e o “mouse” sabe que é preciso correr...

Quando ele parou e se acomodou no “mouse pad”  ao lado do “lap top” , dispus-me a ler o que ele havia escrito.

Palavras, a princípio, sem nexo, numa profusão de idéias e sentimentos, de passado e de presente, de ódio e de ternura, que para o leitor menos atento, poderia parecer uma simples miscigenação de sílabas formando palavras,  num contexto sem sentido.

Então, pensei: “Como seria bom se a gente conseguisse transpor, através de um  teclado e de um mouse, ou mesmo de uma caneta, tudo aquilo que nos vai dentro da alma, de maneira tal, que o seu significado tão nítido para nós, fosse captado tão ou mais nitidamente pelas  outras pessoas.”

No entanto, as nossas palavras, nascidas da nossa sensibilidade e da nossa razão, comumente são captadas distintamente por várias pessoas.

Da mesma forma, que o som de uma música pode ser captado de maneira diversa por cada pessoa, que o ouve, também as palavras, quando inseridas num contexto, podem ser interpretadas como coisas “sem pé nem cabeça”.

 Porém ninguém, melhor que o autor, sabe quanto as viu e sentiu em pé!

 

Escrito por anama às 22h40
[ ] [ envie esta mensagem ]

Histórico