
Do casamento e outras coisas...
O casamento é uma arena: uma arena doméstica, onde os principais inimigos são o homem e a mulher.
A mulher, responsável pela ordem da casa, mesmo que trabalhe fora.
O homem, responsável pelo poder, pela autoridade reinante.
Quando existem filhos eles também fazem parte desse jogo.
As meninas sempre se ligam ao pai, compram-no com as mais incríveis artimanhas.
Os meninos ganham a simpatia da mãe, que procura encontrar neles o apoio, que desejaria ter do pai.
E, por aí vai, a vida de um casamento é uma eterna repetência.
Daí, então aquelas conversas de comadre:- ‘ Ah, na sua casa também é assim?”
E, não poderia deixar de ser.
O casamento é o casamento em qualquer lugar, mudam os cenários, mudam os personagens, mas o enredo é um só, as emoções são as mesmas.
É a mãe, que acorda os filhos, que os incita a escovar os dentes, a fazer as tarefas escolares, a trocar de roupa.
É a mãe, que interrompe as mais gostosas brincadeiras das crianças – é a mãe que avisa que o almoço ficou pronto, interrompendo o programa favorito da t.v.
É a mãe, que faz a criança dormir, quando não dorme no quarto dela.
É a mãe, que involuntariamente faz o papel de “general”, aquele que dá as ordens.
E é o pai, aquele que cumpre sua obrigação, quando brinca com os filhos meia horinha, e no máximo discute com a mãe as ordens e atitudes por ela tomadas (que me perdoe os pais mais atuantes!!).
E quando se chega ao limite de não se suportar mais a rotina e o marasmo de um casamento, não resta outra alternativa, senão parar e enfrentar.
Se estamos numa arena o segredo é enfrentarmos o inimigo - não o outro e sim o nosso próprio inimigo: nós mesmos!
Sim, pois se perdemos contato conosco mesmos, como poderemos nos comunicar com o outro?
Precisamos refletir sobre nossas vivências, só assim poderemos mudar.
E, mudando nossa própria realidade, consequentemente, ocorrerá uma mudança na nossa relação com os outros.
Poderíamos começar por entender ou tentar compreender que os problemas nascem na instituição do casamento, nas tarefas que ele nos impõe, e não na relação em si.
Muitas vezes, existem problemas que, não são só conjugais e sim pessoais.
Problemas, que a pessoa já trouxe consigo antes mesmo de se casar.
O casamento, se bem vivido, pode servir para reencontrar o que perdemos lá atrás, em nós mesmos.
A vida em comum pode ser minada por este ou aquele tipo de acontecimento.Podemos tentar minimizá-los , quando não até tirar proveito deles.Para isto bastaria, que cada um atentasse para a maneira como o outro funciona; compreender que, as vezes, os nossos atos tem valores diferentes para diferentes pessoas.
Quem sabe, assim não seria mais fácil enxergar o outro e ser enxergado por ele também?





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